A hora e a vez da empresa progressista

O século XXI começou com a ressaca do excesso de um modelo neoliberal, que apostou todas as suas fichas no Deus mercado. E deu no que deu. Ainda com as garras contidas, a crise que se tornou transparente em 2008, colocou milhões de trabalhadores no olho da rua no mundo todo.

Enquanto isso, a automação industrial e os robôs ameaçam destruir empregos formais – inclusive no Brasil.

O cerne do problema, no entanto, está nesse persistente apartheid que separa o econômico do social, como se fossem campos opostos e não mescláveis: a água e o azeite, ou os belos personagens românticos do feitiço de Áquila – um que só podia viver à luz do dia, outro, que só à noite.

O econômico pelo econômico produz misérias sociais. O social pelo social causa pobreza econômica. As fórmulas excludentes são muito conhecidas e sabemos dos seus efeitos devastadores.

Dissociar o econômico do social é a semente perfeita para gerar as catástrofes humanas das quais, mantida essa separação, jamais nos livraremos.

Precisamos fazer com que o econômico se enamore do social e vice-versa, para que ambos, unidos e em constante harmonia, possam gerar filhos promissores, capazes de criar uma nova humanidade, a verdadeira terra prometida.

A origem de todo o mal

Primeiramente, é preciso identificar com lucidez o que é sujeito e o que é objeto, no mundo dos negócios. Sujeito é geralmente representado pelo pronome “quem”. Quem planeja, elabora, produz, atende, serve é sujeito. Quem demanda, compra, consome, usufrui e é servido também é sujeito. Todo o resto é objeto: o produto, o maquinário, o processo, os insumos, os controles, a nota fiscal, a duplicata, a comercialização, o dinheiro e o balanço.

O econômico tende a transformar tudo em objeto. O “quem” é tratado como coisa, não importa se faz ou compra. É o que acontece quando o lucro se transforma em sujeito e senhor de tudo. Sim, porque leva a um desvio cruel: transforma pessoas em objetos descartáveis, sejam funcionários, clientes, fornecedores, investidores.

Sem distinção, todos são vistos apenas como meios de aumentar o volume de caixa. Quando o econômico se sobrepõe ao social, fica automaticamente eliminada qualquer possibilidade de evolução humana, ainda que se possa conseguir acumulação de renda, durante um certo período de tempo.

Paulo Freire dizia que o “homem é objeto por distorção, mas sujeito por vocação”. Toda calamidade humana decorre dessa inversão de valores e de trocar os fins pelos meios. As crises são os avisos de que as coisas estão fora da sua ordem natural. 

Assim como o corpo humano produz febres, náuseas, vômitos e diarréias diante de uma ameaça ou de um agente estranho, a crise é a reação do sistema quando o objeto persiste em sobrepor-se ao sujeito, acionando – no ápice do processo – um alerta de que a saúde precisa ser restaurada.

A empresa progressista

A metanóia é um processo de educação que tem como propósito transformar empresas econômicas em empresas progressistas, a partir da mudança de modelo mental de seus líderes. Baseia-se em boas práticas e conduz à abundância, porque nela acredita. É orientada por valores e atua de acordo com eles. É direcionada por uma visão de futuro, um propósito revestido de significado para todos que nela trabalham. Toca, portanto, a mente e o coração de todos os seus colaboradores. Investe nas dinâmicas de grupo e nos trabalhos em equipe.

A empresa progressista se preocupa com a qualidade dos relacionamentos e de diálogo entre as pessoas. Adota um modelo de gestão participativa, que representa um avanço em relação aos tradicionais, sempre hierarquizados e autoritários. Introduz práticas de decisão em consenso, planejamento participativo, indicadores de desempenho e avaliação de resultados sob um enfoque sistêmico.

Quando uma empresa é capaz de tratar seus colaboradores como sujeitos, está preparada para fazer o mesmo com todos os outros seres humanos, o que naturalmente inclui os que adquirem seus produtos e serviços.

Palavras como serviço e excelência compõem o vocabulário organizacional de uma empresa progressista. Ao se interessar verdadeiramente pelo cliente, a empresa progressista deixa de ser uma empresa apenas econômica e passa a ser uma instituição apta a contribuir com o outro, que, em uma abordagem sistêmica, abrange também o fornecedor, o investidor, a sociedade como um todo.

Essa empresa une o social, a parte do negócio que está a serviço da sociedade, com o econômico, a parte do negócio geradora de resultados. Riquezas sociais e econômicas, juntas, uma retroalimentando a outra, num processo autopoiético.

A riqueza que faz bem

A empresa progressista é essa nova instituição moldada para o futuro da economia, como agente econômico e social. Sem exclusões ou divisões. Se toda a empresa tem um claro papel de produzir riqueza, a progressista assume decisivamente também sua missão social, porque respeita a natureza, o ser humano, os seres vivos, a vida, enfim.

Seus líderes compreendem que um negócio existe para contribuir com o mundo. Consideram-no, portanto, parte de uma obra maior, pela qual todos são responsáveis e sabem que é missão de cada negócio contribuir para o todo, com a sua própria parcela.

A empresa progressista funciona como uma comunidade de trabalho e aprendizado. Sua principal força está no conhecimento, e não apenas o voltado a uma especialidade técnica do ramo a que se dedica, mas sim àquele que amplia o significado da vida, da liberdade, da dignidade humana, da auto-realização, imprescindível para a construção de uma humanidade mais completa.

Uma empresa social e humana, sem deixar de ser econômica. Completa, portanto, e capaz de atuar como fator de ampliação de consciência. Para o bem dos negócios, em geral, e dos seres humanos, em particular.

Este texto foi colhido do site da CEMPRE – EDUÇÃO NOS NEGÓCIOS. (http://www.cempre.net)

Elon Musk: “Google está criando robôs que podem destruir a humanidade” – https://canaltech.com.br/internet/elon-musk-google-esta-criando-robos-que-podem-destruir-a-humanidade-42037/

Revolução tecnológica ameaça o futuro do emprego no Mundo  – https://www.jornaldenegocios.pt/economia/emprego/detalhe/revolucao_tecnologica_ameaca_o_futuro_do_emprego_no_mundo

Robôs: A Ameaça de Um Futuro sem Emprego – https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/01/robos-ameacam-54-dos-empregos-formais-no-brasil.shtml

Robôs ameaçam 54% dos empregos formais no Brasil – https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/01/robos-ameacam-54-dos-empregos-formais-no-brasil.shtml

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